O livro Brasil Tumbeiro, escrito por Mário Aranha, ex-goleiro e ativista antirracista, apresenta uma reflexão profunda sobre a história e a condição do povo negro no Brasil. A obra conduz o leitor por uma viagem pela memória nacional, mostrando que o racismo não é apenas uma herança do passado escravocrata, mas uma estrutura ainda presente e atuante na sociedade contemporânea.
O termo “tumbeiro”, que dá título ao livro, faz referência aos navios negreiros que transportavam africanos escravizados para as Américas. A partir dessa imagem simbólica, o autor constrói uma narrativa que denuncia a continuidade das opressões e desigualdades que marcaram a história brasileira, apontando que o país ainda carrega, de forma metafórica, a marca desse “tumbeiro” que nunca foi completamente desfeito.
A obra resgata personagens e episódios apagados da história oficial, destacando figuras negras de grande importância, como Juliano Moreira, Virgínia Bicudo, Teodoro Sampaio, os Irmãos Rebouças e o movimento da Frente Negra Brasileira. Com isso, evidencia o papel fundamental dos negros na construção do Brasil e mostra como, apesar das contribuições inegáveis, essas presenças foram silenciadas ou minimizadas por uma narrativa dominante que sempre privilegiou a branquitude.
Com linguagem acessível e direta, o autor busca alcançar principalmente os jovens, incentivando-os a reconhecer seu valor, sua ancestralidade e seu potencial de transformação. Ele enfatiza que a juventude negra precisa acreditar em si mesma e enxergar caminhos para além do futebol ou do entretenimento, compreendendo-se como protagonista de uma história de resistência, dignidade e luta.
Mais do que um relato histórico, Brasil Tumbeiro é um chamado à consciência. O livro propõe uma revisão da memória coletiva e um compromisso com um futuro mais justo, em que a sociedade brasileira reconheça plenamente as raízes africanas que a constituem e enfrente, com coragem, o racismo estrutural que ainda persiste.
Em síntese, Mário Aranha transforma sua vivência e sua militância em uma obra de denúncia, valorização e esperança, que convida o Brasil a finalmente desmontar seu “tumbeiro” simbólico e construir um país que celebre sua diversidade e garanta igualdade real a todos os seus filhos.
“O racismo no Brasil se caracteriza pela covardia. Ele não se assume e, por isso, não tem culpa nem autocrítica. Costumam descrevê-lo como sutil, mas isso é um equívoco. Ele não é nada sutil, pelo contrário, para quem não quer se iludir ele fica escancarado ao olhar mais casual e superficial”
(Abdias do Nascimento)
Sobre o autor
Mário Lúcio Duarte Costa, conhecido como Aranha, é um ex-goleiro que se destacou por sua firme posição antirracista no futebol brasileiro. Sua trajetória e coragem em denunciar o racismo transformaram sua voz em símbolo de resistência e conscientização. O caso de 2014 marcou sua luta e deu força ao debate sobre a falsa democracia racial no país. Hoje, fora dos gramados, Aranha atua como palestrante e escritor, defendendo um futuro mais justo e igualitário. Ele acredita na importância de resgatar a história e as contribuições do povo negro no Brasil. Veja aqui suas obras pela Editora Mostarda.
Sobre o ilustrador
Eduardo Vetillo nasceu em São Paulo e, em 1970, viajou para os Estados Unidos, onde estudou na Escola de Artes Visuais de Nova York e no Instituto de Artes de Minneapolis. De volta ao Brasil, decidiu que seria ilustrador publicitário. Montou seu próprio estúdio e iniciou uma série de colaborações para diversas editoras. Ele se tornou um grande quadrinista e coleciona trabalhos famosos ao redor do mundo. Eduardo Vetillo também trabalha com literatura infantojuvenil e foi ilustrador de diversas biografias publicadas pela Editora Mostarda. Veja aqui suas obras pela Editora Mostarda.










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